Sobre as filosofias que a gente aprende no Circular.

INVERSO

Dia desses eu tive a certeza que o universo (às vezes) conspira a nosso favor. Eu tinha uma aula na UFRN nos primeiros horários da noite, mas acabei saindo de casa atrasado, enfrentando o trânsito no horário de pique e chegando quase desacreditado na parada do Circular*.

Para a minha grande surpresa lá vinha o bendito. Sabe quando você vê aquela placa ‘’INVERSO’’ e os seus olhos brilham? Pois bem, uma lágrima quase me escorreu. Fui sentado e me sentindo o dono do mundo.

Pode parecer bobagem, mas somos tão acostumados a achar que tudo sempre vai dar errado que, quando algo dá certo não valorizamos. Eu só percebi quando fui o primeiro a chegar à sala. Mas nem tudo que vem com as ondas é bom. Não é por que algo deu certo de primeira que você deve deixar de lado a precaução.

Entrei no CB** nas carreiras, e, diga-se de passagem, você acha uma agulha num palheiro, mas não acha a sala naquele setor. Entrei na sala Aroeira pensando que era a sala Imburana. Só me dei conta quando o professor perguntou: “vocês são de Farmácia, não é?”. Sai caladinho que nem criança que fez besteira.

O que eu quero dizer é que a gente não pode ser pessimista nem confiar demais no próprio taco. É preciso encontrar um equilíbrio que faça valer a experiência. Como diria Leminski, herrar é umano. Mas com autoconfiança você aprende a se sentir confortável quando erra. Isso por que você entende que a vida é um processo lento, uma viagem muitas vezes apertada, mas gratuita.

(...)

Glossário (para quem não é de Natal-RN):

* Circular é um ônibus que faz o itinerário dentro do campus universitário em dois sentidos: direto e inverso.

** CB é Centro de Biológicas da UFRN. 

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Natal Tatoo