Saiba como ingressar na modalidade e conheça parte do desenvolvimento do esporte na capital potiguar

Skate: saiba mais sobre o esporte no RN.

De marés baixas e secas no Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, na já distante década de 1960, surgiu o então sidewalk surf. Os surfistas da época, desiludidos com a baixa estação do mar, decidiram inovar e trouxeram para as ruas a tecnologia magistral de deslizar sobre uma prancha, com algumas adaptações, claro. Quatro rodas e dois eixos completaram a invenção. Uma década depois, o esporte passou a ser chamado de skate e os primeiros campeonatos surgiram pela América.

O sucesso da inovação californiana foi tão grande que não demorou muito para a prática chegar a outros países e demais continentes do mundo. No Brasil, o primeiro grande nome da modalidade foi Lincoln Ueda, que em competição na Alemanha no final dos anos 1980 ficou em quarto lugar e abriu a história de atletas canarinhos mundo afora. Posteriormente, surgiram nomes como Sandro Mineirinho, Bob Burnquist, Edgar Pereira, Sérgio Negão, entre outros.

Os sucessos dos citados atletas abriram um leque de sonhos em jovens skatistas de todas as partes do Brasil, e no Rio Grande do Norte não foi diferente. Entretanto, tantos os profissionais quanto amadores do Estado ainda sofrem com a falta de lugares propícios para a prática do esporte. Segundo Henrique Harrop, da Lee Boards (loja especializada em Skate em Natal), a capital potiguar é a única no país que ainda não possui um Skatepark público, o que vem dificultando o desenvolvimento da modalidade no Estado.

Todavia, não é pela falta de iniciativa do poder público que os atletas deixam de realizar seus treinamentos diários. Ainda de acordo com Henrique, existem alguns locais para a prática do esporte na capital, mas são praças que foram adaptadas com recursos dos próprios atletas para que eles pudessem, de fato, ter um lugar para treinar: “O Pátio do DED, chamado de Barcelona e a Praça do Disco Voador, que foram construídos através de iniciativa dos próprios skatistas (que arcaram com mão de obra e matéria-prima) são nossos pontos de treinos atualmente”, explica.

Além da falta de estrutura, Henrique conta que os skatistas ainda sofrem com o preconceito de parte da população, o que também se torna uma dificuldade para o desenvolvimento na capital. Para conseguir superar estas e outras adversidades, os atletas que são da mesma categoria geralmente se unem no intuito de “ajudar a crescer a cena dentro de Natal e fortalecer o esporte no Estado como um todo”, conta.

Atualmente, o Rio Grande do Norte está sem competições oficiais de Skate, mas em anos anteriores haviam competições no Estado, conforme relata Henrique: “O estado está faz alguns anos sem realizar nenhuma competição. Existia o Circuito Estadual, mas ele está inativo. Dessa forma, as competições estão sendo realizadas pela nossa loja e por alguns grupos de skatistas da cidade. No próximo dia 30/04, por exemplo, teremos uma disputa de best trick (melhor manobra), anunciou.

Com a falta de competições oficiais no Estado, atletas qualificados do RN partem para outros polos e alguns deles estão disputando o Circuito Brasileiro. Henrique conta que, na última etapa, realizada em Campina Grande/PB, quase dez potiguares competiram em diferentes modalidades. Em 2015, teve destaque para o norte-rio-grandense Luís Marcello, que terminou na 8ª colocação em sua categoria. 

Por fim, Henrique deixou seu recado e deu dicas para quem tem interesse em ingressar no Skate em Natal: “É preciso procurar quem entende do assunto, para tirar dúvidas sobre equipamentos e montar um skate que atenda sua necessidade. Indicamos sempre a aprender com os skatistas mais experientes, a própria vivência já ajuda muito. Tem que se esforçar bastante e não desistir nos primeiros desafios, essas são atitudes essenciais”, finalizou.

 

Foto: autor desconhecido

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